O Globo
sugere: cada macaco no seu galho!
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Jornal O Globo – 13/06/2013
Ligado a
movimento estudantil, Movimento Passagem Livre tem apoio de partidos
Chefes do grupo são professores e estudantes de classe média da USP
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É difícil de acreditar, mas a elite afetada do Brasil realmente se
supera a cada dia. O Globo, um dos veículos que representam a fina flor da
sociedade brasileira, acaba de vaticinar, na matéria indicada no link acima,
que só tem o direito de reclamar do transporte público (público?) quem é
dependente dele. Isso quer dizer que, por esta lógica, você só pode reclamar da
vigilância dos Estados Unidos sobre a internet se conseguir comprovar que o
Governo daquele país abriu seus e-mails. Ou ainda, que você só tem o direito de
se indignar com a ditadura militar outrora estabelecida na América Latina se
tiver sido torturado ou se tiver algum parente ou amigo próximo que foi
brutalmente espancado e/ou morto.
Esse argumento de que cada classe social deve cuidar dos seus
problemas é de um egoísmo que espanta, mas que também comove por demonstrar a
debilidade das pessoas que o apresentam. Aliás, o conceito de "classe
média", citado na chamada da matéria, é atualmente tão ultrapassado quanto
a linha editorial do jornalão em questão.
Apesar de sugerir que o movimento deveria ser restrito somente a
uma parcela da sociedade e de tentar fazer entender que o lugar da classe média
é longe das questões sociais que não a afligem, é natural que em uma democracia
plena protestem aqueles que quiserem e que se identificarem com a causa,
independente de cor, credo ou classe social. Não é porque a pessoa tem um carro
que ela não pode se indignar com o aumento da passagem de ônibus, até mesmo porque
o aumento das passagens de ônibus fere o inalienável direito do cidadão de ir e
vir, o que legitima a manifestação (embora não justifique a violência polícia x
manifestantes e vice versa).
O fato de todos, ou a maioria, ou apenas alguns manifestantes
serem de classe A, B, C ou Z não decreta que existem umas manifestações para
uns e o outras manifestações para outros. Mas àqueles que pensam que uma
notícia dessas é irrelevante para a sociedade, saibam que ela pode criar
reacionários enrustidos e que alguns deles até mostram suas faces nos
comentários publicados abaixo das matérias deste veículo de comunicação, como o
exemplo que segue, que pode ter sido escrito por um trabalhador alienado pela
ideologia do jornal, quem sem perceber joga no time da classe dominante, ainda
que ele trabalhe como copeiro na casa de algum barão da comunicação brasileira:
“Mais uma vez essa odiosa UNE por trás de atos inúteis à
sociedade. Bando de vagabundos, criminosos e hipócritas. Os partidos citados
são uma agremiação de agitadores, ignorantes, sabotadores e stalinistas da pior
espécie. Aposto que eles são remunerados pelos partidos para serem
profissionais da bandidagem. Deveriam ser expulsos da USP pq somos nós que
pagamos com os nossos impostos. Precisamos de bons profissionais e não de
vândalos. Cadeia em todos eles. Cadeia neles. Que saudade dos militares”
Devemos, é claro, repudiar as ações de vandalismo tanto dos
manifestantes quanto da polícia, e precisamos defender a civilidade e o
diálogo, que são alguns dos pilares da democracia. Não podemos apontar A
ou B como culpados pelos confrontos e pelos feridos porque nós não estávamos na
manifestação para ver quem estava com a razão, não sabemos quem foi o autor e
quem foi a vítima de fato, e também não podemos aceitar como verdade absoluta o
que a mídia tendenciosa nos diz. Mas ao contrário do que o veículo sugere, não
estávamos lá porque simplesmente não estávamos, e não porque formamos
parte da classe média ou temos um helicóptero para ir ao trabalho e não dependemos
do transporte público.
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